Quarta-feira, Julho 31, 2002

Vieram parar aqui ao blog através do google com esta procura: truque para fazer Lara Croft jogar.
LOOOOLLLL
Ai, ai...

Segunda-feira, Julho 22, 2002

Afinal não desapareceu nenhum arquivo, eu é que vi mal... lol (Raios, tenho de mudar de lentes... ;P)

52

O barulho lá ao longe fá-la pôr-se à escuta. Ouve gritos e risinhos débeis, de contentamento, de adrenalina a rasar as rotas do concorde; ouve o estrépito das máquinas e atenta nas luzes, piscando. Ali o ar parecia menos pesado, menos denso, mais livre. Havia espaço para reparar nas coisas e sobretudo para uma conversa, um diálogo. Voltou o olhar para Barnabé, o feiticeiro bom, cópia chapada, química, do pérfido irmão. Assoava-se de quando em quando, maldizendo os pólens da primavera que o punham naquele estado lastimoso. Reclamava: «Sabes lá...todos os anos é a mesma história...» E espirrava no seguimento. Recordou o senhor Figueira, com olhos minúsculos, escondidos por detrás das lentes da grossura de fundo de garrafa. «Tenho de lhe escrever», pensou. «Amanhã mando-lhe uma carta», decidiu.

Carta? De súbito veio-lhe à lembrança a história que a mãe contara sobre a carta fujona. Teria sido ele? Perguntou-lhe e a resposta veio afirmativa num acenar de crânio, em simultâneo com outro a...atchim! Santinho, disse. Obrigado, agradeceu Barnabé. Sim, tinha sido ele. A neta para quem guardara a blusa que Beta conseguiu comprar, ludibriando os seus protestos («Nem imaginas a persistência que aquela rapariga tem!»; «Imagino, imagino...», respondeu Nia, com um sorriso de entendida), estava internada no hospital por causa de uma apendicite aguda.

- E não me perguntes porque não a tratei eu. Posso ser feiticeiro, mas não sou médico! Para cada coisa há especialistas.
Evidente, redarguiu Nia, isso nem se colocava em questão. Mas, prosseguiu ele, visitara a neta após a operação e ao lado dela viu uma garota, dormindo. No móvel que partilhavam estava pousado um envelope. E na gaveta estava a carta. Mas o envelope já fora fechado, com endereço posto e remetente. Ia para corrigir a situação quando entra, apressadíssimo, um enfermeiro que pega na carta e desaparece a galope pelo corredor.

- Ora eu estou velho, não tenho pernas para nada, já mal posso andar e...e...
- E?
- E...atchim! Ai, malditos pólens...bem, o único remédio foi lançar um sortilégio à carta.
- Olhe que resultou às mil maravilhas. A minha mãe contou-me.
- Eu sei! Cá para nós, podia ter resolvido aquilo doutra maneira, mas assim foi mais engraçado!
Ela sorriu e pela primeira vez alegrou-se por a propensão de Beta em demorar horas na escolha de uma simples peça de roupa finalmente funcionar a seu favor. Podia conversar à vontade com Barnabé sem medo de interrupções. Respirou fundo e viu as horas. Arregalou os olhos.
- Já passa da meia-noite...! Vou ouvir dos meus pais. Já os ‘tou a ver a desatinar! Lindo...era para estar em casa às onze.
Como comentário escutou apenas estridente espirro.

«Tô mêmo a imaginar a cena toda...: nós aqui aflitos, ao menos podias ter telefonado, quando sais com a Beta é sempre a mesma coisa e não venhas com ideias de saíres no próximo mês. Ah, o livro ‘tá cancelado.» Suspirou fundo. Com o livro não se incomodava, nem com as as saídas. Mas não gostava de dar preocupações desnecessárias aos pais. «De certeza que o pirralho não vai perder a chance de me moer o juízo. Bem feita, toma lá que já aprendeste por não me teres levado, é o que ele vai dizer.» Mas não se importava verdadeiramente. Temia muito mais Malazon. Malazon...recordou-se da primeira vez em que o vira. Tinha sido no museu onde fora com Beta. E depois aquela algazarra toda, o pandemónio geral, a contradança das figuras pintadas. Fartou-se de o procurar no fim, mas não o viu em lado nenhum. Tinha-se dissipado por entre as moléculas do ar. Afinal de contas para onde é que ele teria ido? Pôs a questão a Barnabé que foi rápido a responder: para o sítio óbvio. Metera-se num dos quadros, de certezinha, a observar escarninhamente o nervosismo de Nia, enquanto maquinava naquela mente diabólica uma visita à sua mãe com o mais seguro dos disfarces: vendedor de enciclopédias. Mas, uma coisa continuava a não entender, porque tinham os quadros parado subitamente? E naquela desordem, naquela desarrumação...Ele cansou-se, respondeu Barnabé. Ele é como uma semente do caos, de balbúrdia e confusão. Os poderes extraordinários são contrabalançados, postos em cheque, digamos, devido à fatiga que advem rapidamente. «Só por aí temos alguma hipótese de o vencer», diz Barnabé. Mas o irmão não é parvo e é paciente. Sabe que não vale a gastar energias se nada ganhar com o seu dispêndio. Prefere esperar a altura certa, concentrar o poder e desferi-lo num único e fatal momento. O rio e os quadros constituiram uma espécie de jogo mental, uma demonstração de poderio para instituir pânico que conduzisse à desorganização, à paralização completa da pessoa.

- Se nos mostrarmos como gigantes, mesmo sem o sermos, o mais provável é as pessoas atentarem nessa imagem exterior...e acreditar nela. Não acredites, Nia. Ela corresponde à realidade, sim, mas só em parte. A fraqueza, o seu calcanhar de Aquiles, ele esconde. Mas nós sabemos que existe, e é por aí que atacaremos.
- Mas...disse-me que os vossos poderes são em tudo equivalentes, isto é, a sua força. Então, na fraqueza, no cansaço súbito não serão também iguais?
- Sim, é verdade. Mas eu conto contigo, Nia. Não tenhas medo, vamos vencer.
Sorriu. Vencer, sim, bem o queria, mas quando? Para quando o ataque? O elemento de surpresa pertencia ao seu irmão e não a eles.
- Também é verdade. Não sei, de facto, por onde ele pára. Como possui a capacidade de ocultamento um género de «véu» mágico desce sobre ele e é-me impossível encontrá-lo. Mas a parte boa é que sou igualmente capaz de me esconder da mesma maneira.
- Então...como é que vai saber, quando ele atacar?
- Ele é capaz de esconder-se, mas é incapaz de dissimular o mal que pratica. Quando o meu irmão agir, não te preocupes: estarei por perto. Confia em mim como eu confio em ti.

Esse é que era o problema. Ou, como a avó dizia, aí é que a porca torce o rabo. Não tinha confiança nenhuma em si. Não via como poderia auxiliar a fada, sobretudo contra um mago tão poderoso. Franziu o sobrolho, preocupada. Barnabé compreendeu o que se passava no íntimo dela e deu-lhe uma palmada no ombro, sorrindo. Nesse instante Beta sai da loja, envergando uma blusa magnífica que, se correctamente ajustada, se transformava num curto vestido de noite.
- Epá...estás toda elegante!
- Eu sei...- suspira Beta languidamente - é um dom...

Quinta-feira, Julho 18, 2002

Acabei de notar que os 5 primeiros capítulos d' "A Fada dos Sonhos" se eclipsaram. O que aconteceu, rapto por extraterrestes? Foram dar um passeio e perderam-se no regresso? Raiiiiivaaaa... mais tarde terei de os voltar a pôr.

Terça-feira, Julho 16, 2002


51

A Fadinha, ao contar-lhe as peripécias do encarceramento esquecera-se de mencionar o pequeníssimo, insignificante, minúsculo, microscópico pormenor dos dois feiticeiros serem de facto irmãos.
Gémeos.
Barnabé e Malazon eram irmãos gémeos. Era só por esse motivo e por nenhum outro que os seus poderes se igualavam. Assim, por mais que se defrontassem nunca nenhum dos dois ganharia, o resultado máximo que conseguiriam obter era um empate.
Barnabé conta, numa maré de explicações, de névoas dissipadas, de brumas destruídas, permitindo a Nia discernir o contorno real das coisas. Ele conta-lhe tudo.

O rio fora obra de Malazon, seu irmão gémeo, mau que nem cobras e que em pequeno tinha o hábito de lhe partir os brinquedos, só para se divertir com a amargura do mano. O rio voltara ao normal quando os habitantes, fartos do carnaval fanático-religioso, se sublevaram, expulsando os estrangeiros. Ora era exactamente a oportunidade de que Barnabé tinha estado à espera. Com o levantamento popular o desiquilíbrio de forças entre os dois feiticeiros instalou-se, a favor do bem. Da ordem. Esse desiquilíbrio era necessário pois não era, digamos, a “quantidade” de poder que os diferenciava, mas sim a “qualidade”. Malazon era um destruidor nato, agente do caos e das trevas, o mal era o seu domínio; Barnabé, pelo contrário, pertencia à ordem, ao lado bom das coisas, era um criador e abominava a destruição e o aniquilamento.

Malazon calculou que o irmão o seguisse, pois também ele estava a par do fim do castigo da Fada dos Sonhos. Sabia que teria de enfrentar um adversário de peso, impossível de derrotar a não ser que começasse a arranjar aliados. E rápido. Edgar foi escolhido. Mas, tal como a fada dissera, o enfurrejar de séculos ou quem sabe a avidez, cegou-o quanto ao montante de força a utilizar e acabou por destruir o padrão de Edgar. Em resultado ele transformou-se numa criatura de inteligência extrema, mas sem uma pinga de emoção, quase sem humanidade, totalmente desprovido de sonhos. Malazon tinha de conter-se na força pois o aniquilar do padrão de sonhos era-lhe contraproducente já que o impedia de controlar as pessoas. Como um parasita instalava-se nele subrepticiamente, dedilhando-o com a leveza e a crueldade de uma aranha numa teia, de modo a subjugar o seu dono. Mas sem padrão não havia meio de manipular quem quer que fosse. E mesmo assim por pouco tempo porque era para ele um acto penoso e cansativo. O que na verdade lhe interessava era a conquista do verdadeiro poder da fada dos sonhos. Com isso controlaria toda a gente, o mundo inteiro!, pelo tempo que desejasse sem jamais se cansar.

- E o que aconteceria à Fadinha? - inquiriu Dionísia.
- Morreria. As fadas, apesar de serem imortais, sem poder morrem.
Dionísia engole em seco, aperta o cabelo e cerra os olhos. Meu Deus!, não pensara que o caso fosse assim tão grave. Pensava que o máximo que o feiticeiro maligno lhe poderia fazer era privá-la da liberdade, uma tortura impediosa e bastante cruel para quem conhecesse o carácter irrequieto e vagabundo da sua amiga fada. Na verdade era esse temperamento, essa forma de ser despreocupada e leve que a levava a colocar em risco a própria vida. Não ligava, não dava a mínima, agindo como um ser omnipotente e imune a tudo. Oh, a destravada da mioleira, era o que ela era!, isso sim, enfurecia-se Dionísia. Em vez de se precaver, tomar cautela e evitar riscos desnecessários - não! Estava-se nas tintas e até fazia pior.

- Mas ela é assim, sempre o foi. Vá-se lá convencê-la! - comentou Barnabé, encolhendo os ombros em sinal de resignação. Conhecia-a bem, sabia ser impossível alterar-lhe a índole. Bom, mas o que importava agora era concentrarem-se e esperarem pela próxima batalha. Era preciso estarem preparados. E arranjar aliados, cúmplices para a sua luta, de modo a desiquilibrar as forças do maninho mau, aquele malandro que em miúdo lhe partira a espada de brincar. Nia sorriu um pouco, pensando que, em comparação, ela e Jaime até se davam bem...relativamente, isto é. Aliados...quem?, pergunta.
- Quem é que havia de ser? Tu!
«Eu?...» Barnabé replica que não são a magia, nem os poderes supra-humanos que contam assim tanto; por vezes, e não raras, o que faz toda a diferença é o sentir, o gostar. A emoção, a emotividade, a vontade de proteger e acudir. O afecto sincero nutrido por alguém. Ela que não se preocupasse, haviam de ganhar, estava certo disso, confiante.

Segunda-feira, Julho 15, 2002


50

- O Malaquias! - exclamou Beta e largou logo o braço da amiga para se dirigir a ele enquanto clamava entredentes: «Ai arranco-lhe a blusa desta vez, se não a tiver contento-me com a pele que lhe cobre o corpo.» Dionísia queria gritar «Cuidado! Não vás!», mas emudecera e estava pregada ao chão de medo. Tremia que nem varas verdes. Vê a amiga aproximar-se perigosamente de Malazon, parar a pouca distância, colocar as mãos em ângulo agudo na cintura e em preparativos para começar a espingardar sobre o homem. Fecha os olhos. Está perdida. As duas estão perdidas. Beta ia para dizer algo, reclamar a blusa e tudo o mais, no entanto o homem não lhe dá hipótese.
- Atchim! Maldita alergia! Esta primavera dá cabo de mim com os pólens! Aaa...tchim! Ai...(assou-se).
Aproveitando a pausa Beta interpela-o:
- Com que então! - mas antes de prosseguir o discurso de uma rajada, como costuma fazer quando se encontra enraivecida, já ele a interrompe declarando:

- Elisabeth! Que prazer em ver-te! Atchim! Perdoa-me, esta alergia é dos diabos...então, sempre queres a blusa que te devo?
Ela diz que sim, faz uma pausa melodramática, o fogo dos olhos a crepitar-lhe em labaredas para fora, e prossegue depois, os lábios afilados numa única linha, quase hirtos, pedindo-lhe o favor de indicar a loja. É que regressara à Baixa várias vezes e da loja «nem o cheiro.» O homem não demonstra espanto, nem tenta negar o óbvio, apenas acena o crânio, replicando:
- Digo-te já onde ela está. Está aí, atrás de ti...

Dionísia viu Beta, quase jurava, a dar faísca. Beta, enfurecida, continha o corpo, cessava de respirar para depois cair sobre a presa como um gato de dentes afiadíssimos. Era evidente não haver porcaria de loja nenhuma atrás de si. Estavam num descampado, as lojas eram lá mais para a frente. O tipo que não a tentasse enganar que ela não estava para brincadeiras e dali não sairia sem uma peça de roupa qualquer, nem que fossem as meias. Fosse como fosse ela não ia sair de mãos a abanar. Palavra de Beta. O homem cessou os espirros ante a determinação dela, estacando o ritmo. De lenço na mão e olhos a piscar, disse:
- Vira-te. Está aí bem atrás de ti.

Beta perdia definitivamente a paciência. Se o gajo continuasse naquela treta daí a pouco punha-se a trepar paredes. Respirou fundo e, só para ter a satisfação de o apanhar noutra mentira, virou-se. E nesse instante ficou hipnotizada. A loja encontrava-se de facto lá. Dava a sensação que apenas bastara ele mencioná-la que ela num ápice se tinha materializado, como que por encantamento. Arredou a fúria, os nervos dissiparam-se por entre a imensidão de roupa de todos os estilos, cores e feitios povoando a loja. E ela que podia somente escolher uma mísera blusa! Em poucos segundos perdeu-se no interior, fascinada, em estado hipnótico, deixando a amiga pregada ao chão, a tremer de pavor. O terror subira-lhe à ponta dos cabelos e instalara-se no topo, fazendo-os arrebitar. Malazon, pensava. Só via essa palavra à frente dos olhos esbugalhados. E ele então caminhou na sua direcção, retomando o fio aos espirros interrompidos pela determinação cegante de Beta, enquanto Dionísia cerrava os olhos e encomendava a alma a Deus, preparando-se para o golpe final.
- Muito prazer, o meu nome é Barnabé! O teu é Dionísia, já sei.

Quê? Que é que o tipo dizia? Ele estava a brincar ou quê?! Não, estava a ser sádico, torturava-a primeiro com jogos mentais, dando-lhe uma falsa sensação de segurança para depois a dissipar, rindo sinistramente, o filho-da-mãe! Só podia ser! Isto irritou-a, irritação que tomava, sem se aperceber, pouco a pouco o lugar do terror paralizante.
- Então, não falas? O gato comeu-te a língua?
E ele a teimar naquilo! Era mesmo sádico. E cínico. Porque é que não se despachava logo e acabava com o suplício?
- Estou a ver que vou ter de explicar tudo desde o princípio. Bem, é assim...

Terça-feira, Julho 09, 2002

Ver se não me esqueço de cá vir todas as semanas... religiosamente ;P

Domingo, Julho 07, 2002

Budismo e Filosofia

Para quem tiver curiosidade em saber mais...

Sábado, Julho 06, 2002

Bolas, já fiz porcaria, grrrrrrrrrrr... não consigo tirar aquele link quebrado... raaiiiiva... :[

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Ágata Ramos Simões
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Gosta de livros estranhos, esquisitos. Tem por hábito tomar banho. [Teve]Tem um gato que não [era] é dela. Fala de si na terceira pessoa. Gosta da Britney Spears. Do Brad Pitt. Tem ódio mortal a Angeline Jolie por causa do Brad Pitt. Gosta do som e cheiro da chuva. Gosta do som e do cheiro do mar. Pode estar muito tempo, alheada, a olhar para o vazio, sem fazer nada. Não gosta que a chateiem. Detesta que apareçam sem avisar. Tem um grande sentido de justiça. É mais casmurra do que sei lá o quê. Já mencionei que adora o Brad Pitt? Devia ler mais. E escrever também. Tem pretensões messiânicas. É morena. Tem a pele branca, mas na praia o sol tinge-a de vermelho. Tem dois pares de patins. Não tem certezas políticas, religiosas ou espirituais. Acredita no respeito por todos. Aprendeu na primeira classe que não se responde com “hã?”, mas “diga”. Detesta matemática. Abomina contas. [O resto aqui: http://escrita.blogspot.com/2005/08/autobiografia-incompleta-gosta-de.html]
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